Irmãos Batista evitaram prejuízo de R$ 138 mi com operação na bolsa

Wesley foi levado para a sede da PF em São Paulo

Wesley foi levado para a sede da PF em São Paulo
13.09.2017/MARCOS BEZERRA/FUTURA PRESS/FUTURA PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO

Os irmãos Joesley e Wesley Batista, donos da JBS, evitaram prejuízo de R$ 138 milhões, segundo a Polícia Federal, com a compra e venda de ações na bolsa de valores de São Paulo antes da divulgação da delação premiada dos executivos da J&F, em maio.

Wesley foi preso na manhã desta quarta-feira (13) durante a segunda fase da operação Tendão de Aquiles, que investiga os Batista por uso de informações privilegiadas para operar no mercado financeiro. A PF também tinha um segundo mandado de prisão, contra Joesley, mas ele já se encontra preso temporariamente em Brasília, no âmbito da operação Lava Jato, por suposta quebra do acordo de delação.

Em coletiva de imprensa na manhã de hoje, a Polícia Federal explicou que os acionistas da J&F tinham “consciência” do impacto que as delações premiadas dos executivos do grupo causaria no mercado financeiro e, em razão disso, resolveram atuar para diminuir os prejuízos.

O conteúdo da delação de Joesley veio à tona em 17 de maio, com a divulgação de uma gravação entre o empresário e o presidente Michel Temer (PMDB), no qual tratam de pagamento de propinas ao ex-presidente da Câmara dos Deputados Eduardo Cunha (PMDB-RJ). No dia seguinte, o dólar disparou e a Bovespa despencou, a ponto de o pregão precisar ser momentaneamente interrompido.

Segundo as investigações da PF, foram duas movimentações suspeitas no mercado financeiro: primeiro, a venda e compra de ações da JBS e, segundo, a compra de dólares no mercado futuro.

O chefe da delegacia de repressão à corrupção e crime financeiro da PF, Victor Hugo Rodrigues Alves, explicou que a FB Participações vendeu 42 milhões de ações da JBS antes da divulgação do conteúdo das delações premiadas, ao valor estimado de R$ 372 milhões. Ao mesmo tempo, a JBS comprou essas ações.

O que é suspeito, segundo o investigador, é que a FB Participações pertence 100% aos irmãos Batista, que, por outro lado, controlam 42% da JBS. Segundo Alves, houve uma tentativa de “diluir” os prejuízos.

— A maior parte do prejuízo não ficou com os irmãos Batista, e sim com os outros acionistas, que são vários, inclusive o governo federal, BNDESPar, que detém ações da JBS. Feito isso, o acordo [de delação] é fechado e divulgado pela imprensa. Quando foi divulgado, aconteceu exatamente o que os acionistas previam, impacto brutal no mercado financeiro.

Defesa

Em nota, o advogado de Joesley e Wesley Batista, Pierpaolo Cruz Bottini, informou que a prisão “é injusta, absurda e lamentável”. Leia a nota completa:

“Sobre a prisão dos irmãos Batista no inquérito de insider information, é injusta, absurda e lamentável a prisão preventiva de alguém que sempre esteve à disposição da Justiça, prestou depoimentos e apresentou todos os documentos requeridos. O Estado brasileiro usa de todos os meios para promover uma vingança contra aqueles que colaboraram com a Justiça”.

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